"Relógio do Apocalipse" a cinco minutos do fim do mundo
15 Janeiro 2012
Posted in
Geral
O "Relógio do apocalipse" foi adiantado em um minuto nesta terça-feira (dia 9) e agora ele marca cinco para a meia noite, ou cinco minutos para o fim do mundo, já que meia-noite significaria o momento “zero” da extinção do planeta. Criado em 1947 por cientistas atômicos americanos, ele leva em consideração o estado dos arsenais nucleares mundiais, biossegurança e clima, entre outros fatores, para estimar o quão próximo a Humanidade pode estar da extinção.
Na decisão deste ano, as mudanças climáticas ganharam peso. A última mudança no relógio, um atraso de um minuto ocorrido em 14 de janeiro, de 2010, deu-se em virtude de avanços na redução de armas nucleares e de poluentes atmosféricos.
Foi o primeiro recuo desde 1991, quando o Tratado de Redução de Armas Estratégicas foi assinado pelos Estados Unidos e a extinta União Soviética. A penúltima vez ocorreu em 2007, quando o otimismo em torno da eleição do presidente dos EUA, Barack Obama, aumentou as esperanças de uma maior cooperação mundial e levou-o a marcar seis minutos para a meia noite.
"Está claro que as mudanças que pareciam estar ocorrendo naquela época não se materializaram", explicou Lawrence Krauss, copresidente do 'Boletim dos Cientistas Atômicos', responsável pelo relógio. "Hoje, diante do perigo real e imediato da proliferação nuclear, das mudanças climáticas e do contínuo desafio de encontrar novas fontes de energia sustentáveis, os líderes mundiais continuam a agir como se tudo estivesse bem".
O "Relógio do apocalipse" esteve mais próximo de marcar o fim do mundo, em dois minutos para a meia noite, em 1953, no auge da Guerra Fria e quando tanto EUA quanto a extinta União Soviética testaram armas termonucleares. Já em 1991 ele atingiu seu ponto mais afastado, 17 minutos para a meia noite, quando os dois países assinaram um ambicioso tratado de desarmamento e a chamada "cortina de ferro" se abria.
“A comunidade global pode estar próxima de um ponto sem volta nos esforços para prevenir catástrofes devido a mudanças na atmosfera da Terra. A Agência Internacional de Energia prevê que se a sociedade não começar a construir alternativas às tecnologias de geração de energia emissoras de carbono nos próximos cinco anos, o mundo está condenado a um clima mais quente e severo, secas, fome, falta d'água, elevação do nível do mar, desaparecimento de nações insulares e acidificação dos oceanos.
Como as usinas movidas a combustíveis fósseis e a infra-estrutura construída no período 2012-2020 produzirão energia – e emissões – por 40 a 50 anos, as ações tomadas nos próximos anos no colocarão em um caminho impossível de ser mudado. Mesmo que os líderes políticos decidam no futuro reduzir a dependência de tecnologias emissoras de carbono, será tarde demais”, avaliam os cientistas em comunicado sobre a decisão. Mas parece que os líderes políticos dos países envolvidos em poluir o planeta não se dão conta, inexplicavelmente destes números.
O Relógio do Apocalipse é um relógio simbólico mantido desde 1947 pelo comitê de diretores do "Bulletin of the Atomic Scientists", da Universidade de Chicago. Ele utiliza uma analogia onde a raça humana está a "minutos para a meia-noite", onde a meia-noite representa a destruição por uma guerra nuclear.
Desde sua introdução, o relógio vem aparecendo na capa de cada exemplar do "Bulletin of the Atomic Scientists". A primeira representação do relógio foi produzida em 1947, quando a artista Martyl Langsdorf, esposa do físico Alexander Langsdorf Jr. (que trabalhou no Projeto Manhattan), foi convidada pelo co-fundador da revista Hyman Goldsmith para desenhar uma capa para a edição de Junho.
O relógio foi iniciado em sete minutos para a meia-noite durante a Guerra Fria em 1947, e tem sido posteriormente avançado ou retrocedido em intervalos regulares, dependendo do estado mundial e da perspectiva de uma guerra nuclear. O ajuste é relativamente arbitrário, feito pela diretoria do Bulletin of the Atomic Scientists em resposta aos acontecimentos mundiais.
O ajuste do relógio não tem sido feito rápido o suficiente para denotar certos eventos. A crise dos mísseis de Cuba em 1962, por exemplo, alcançou seu auge em algumas semanas, e o relógio não foi ajustado durante aquele período. Não obstante, alterações no relógio geralmente atraem atenção.
Os ponteiros do relógio já se moveram 19 vezes em resposta aos eventos internacionais desde seu início em sete minutos para meia-noite, em 1947. Quanto mais perto os ponteiros estiverem da meia-noite, maior a probabilidade de uma catástrofe nuclear.
Foto interior: Robert Socolow, professor da Universidade de Princeton, ao lado do Relógio do Apocalipse durante simpósio (AFP)
| < Anterior | Próximo > |
|---|

